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Giselda escosteguy Castro

Giselda Escosteguy Castro - Uma santanense cidadã do mundo*

(1923-2012)

 

 

          Falar em Giselda Escosteguy Castro como figura pública exponencial criou em mim certa timidez, e atribuo esse pequeno embaraço  ao fato de ter sido ela uma amiga - pessoa importante no âmbito dos meus afetos. Filha do próspero comerciante João Escosteguy e de Marina da Cunha Escosteguy, nascida em Santana do Livramento em janeiro de 1923, na senhorial casa familiar hoje tombada como patrimônio histórico da cidade, Giselda recebeu o título de cidadã de Porto Alegre por reconhecido merecimento, tornando-se ao longo do tempo, graças a sua aguçada consciência cívica, uma legítima cidadã do mundo pelo viés da ecologia.

          Essa destemida guerreira na defesa do meio ambiente, na preservação da natureza e, acima de tudo, na busca de melhor qualidade de vida para as pessoas, trilhou diferentes caminhos - caminante no hay camino, se hace el camino al andar - e todos eles visaram a amenizar a existência de seus semelhantes, promovendo o que se pode chamar de uma política do humano. Para essa luta contou, desde sempre, com alguns traços preciosos e marcantes de sua personalidade: inteligência, discernimento, constância e integridade.

          Giselda, desde muito jovem, distinguiu-se por uma apaixonada busca de conhecimento e pela reivindicação do que então já pressentia ser os direitos de cidadania. Num tempo em que na sua terra natal não havia Curso Ginasial (Ensino Médio) para estudantes do sexo feminino, teve de receber aulas particulares propondo-se a cumprir os exames exigidos  para  a obtenção do almejado certificado no Colégio Marista Santanense - escola exclusivamente masculina. Adolescente vitoriosa nessa conquista, levada pela firmeza de suas convicções, deu sinais de ter sido uma feminista avant la lettre. Foi essa mesma firmeza que a levaria, anos mais tarde, a participar de fóruns, conferências, congressos, manifestações no país e no Exterior, com voz veemente e sempre convincente, na luta, no mais amplo sentido da palavra, por um mundo melhor.

          Em 1964, junto à incansável parceira Magda Renner e outras companheiras, criou a Ação Democrática Feminina Gaúcha (A.D.F.G.), pioneira no Estado e, talvez no país, na promoção de uma cidadania mais consciente e atuante; alguns anos depois, a entidade alargou seus objetivos ao abraçar  também a grande causa ecologista, a qual foi reforçada na parceria com a importante organização ecológica internacional - Amigos da Terra – e, a partir de 1998, ampliou sua atuação adotando o nome Núcleo Amigos da Terra – Brasil, alcançando então decisiva projeção, tanto no cenário doméstico quanto no mundial.Foram 40 anos de atividade ininterrupta (1964-2004) na linha de frente de muitas batalhas, entre elas, a da ecologia que terminou integrando todas as demais.

          Foram muitas as ações empreendidas por Giselda no decorrer dos anos e em lugares diferentes: com Magda Renner e Hilda Zimmmermann, ao lado do renomado ambientalista gaúcho José Lutzenberger na famosa AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural; em Washington, na Caravana de Ambientalistas e na Organização da Passeata Contra os Políticos do Banco Mundial;  em Haia, Holanda, na reunião com o Banco Mundial; em Nairobi, Quênia, na Conferência  sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; em Halifax - Canadá, na Conferência Internacional das Mulheres pela Paz; em Gramado, RS, no Congresso de Direito Ambiental do Ministério Público e, em Penang, Malásia, na Conferência sobre o Futuro da Humanidade.

          Fato relevante, e mesmo comovente, na trajetória de vida de nossa conterrânea foi a total não subserviência a quaisquer interesses que não fossem os da fidelidade a seus generosos ideais altruístas, ligados à defesa da vida e às questões ecológicas. Segundo suas palavras em depoimento no livro Pioneiros da ecologia: A ecologia não é só a defesa do meio ambiente. Defesa do meio ambiente é defesa da vida. Defesa da vida é a defesa da igualdade, da responsabilidade, da fraternidade.

           

Em  tudo o que fez, Giselda Escosteguy Castro pôs paixão.

 

                                                                                                     Carmen Maria Albornoz Serralta

 

          * Giselda faleceu em março de 2012 na cidade de Porto Alegre. Foi casada com o médico Ernesto Llopart Castro e com ele teve três filhos: João Ernesto, Maria da Graça e Antônio. E os filhos lhe deram cinco netos: Cândida, Fábio, Luis Felipe, Débora e Ramiro.