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A economia não é tudo !
Entrevista de Cyro Martins à revista Amanhã, Porto Alegre, junho de 1994, p-12-14

Cyro Martins foi menino numa venda de beira de estrada, no interior do município de Quaraí, no pampa gaúcho. Por trás do balcão viu desfilarem os personagens que povoariam seus livros - agregados, parceiros, peões de estância, tocados para a cidade pela falta de perspectiva no campo.

Numa conferência, há 60 anos, ele usou pela primeira vez a expressão “gaúcho a pé”. Dois anos depois publicou “Sem Rumo”, o primeiro dos três romances em que descreve a triste saga desse gaúcho sem cavalo e sem distância que resultada falência da economia tradicional, de base pastoril, no Rio Grande do Sul. Nesse processo social, que ainda não se completou em quase um século, o gaúcho campeador, “a romântica figura”, estilizada por Euclides da Cunha, transforma-se no gaúcho a pé, que vai povoar as vilas pobres na beira das cidades .

Hoje, o trabalho literário de Cyro Martins abrange quase duas dezenas de títulos (contos, novelas, romances, ensaios), todos eles centrados no tema regional, sem ser regionalista.

Mas o ficcionista é apenas uma parte de Cyro Martins. Ele tem outros sessenta anos dedicados à medicina e à psiquiatria, campo em que está entre os pioneiros no país. À prática diária no consultório, acrescenta uma intensa atividade intelectual - seus ensaios sobre temas psicanalíticos renderam quase uma dezena de livros. E, aos 86 anos, continua em plena atividade: atende de seis a oito pacientes por dia e dedica o resto de uma jornada, nunca menor do que 10 horas, à pesquisa, à leitura e aos textos que produz constantemente. Há poucos dias passou para seu editor os originais de mais um livro.

Leia a entrevista na íntegra