Mesas-redondas e debates
PROGRAMAÇÃO
13h30 – Conferência de inscrições
14h – Abertura
Aymara Celia e Maria Helena Martins
14h30 – Betina Mariante Cardoso
Paixão, Amor e Ciúme na mulher na sociedade atual

15h – Margaret Marchiori Bakos
A mulher no Egito

Debate e intervalo
16h30 – Arminda Lopes
As mulheres na Arte
17h – Joana Bosak de Figueiredo
Mulheres Públicas

17h30 – Debate e Encerramento
Arminda Lopes (Escultora) -
Iniciou sua carreira artística em 1980. Realizou mostras individuais nos principais espaços culturais do Brasil, além de importantes galerias e instituições da Europa e América do Norte. Seu trabalho vem recebendo importantes prêmios e distinções.
Betina Mariante Cardoso (Psiquiatra) -
Graduada em Medicina pela PUCRS. Especialista em Psiquiatria pela UFRGS. Título de Psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) (2006) e Associação Médica Brasileira. Especialização em Psicoterapia de Orientação Analítica pela UFRGS. Mestre em Psiquiatria pela UFRGS.
Joana Bosak de Figueiredo ( Profa. de História e Literatura) -
Mestre em História e Doutora em Literatura Comparada pela UFRGS, onde lecionou. Fez curso na Universitat de Barcelona, onde participa de grupo de estudos sobre tradução. Estudou a identidade regional e cultural do gaúcho e atualmente pesquisa a vida de mulheres, além das relações entre literatura e moda.
Margarete Marchiori Bakos (Historiadora) -
Doutora em História Econômica (USP). Pós-doutora em egiptologia (University College London). Vários livros e artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e no exterior.

Desafios e conquistas na trajetória de emancipação feminina
persistem e foram questões de interesse permanente para
Cyro Martins, observando que,
..... ao longo da história, notadamente nos últimos cem anos, a mulher mantém uma atitude ambivalente ante seu ideal de emancipação social. Penso que essa ambivalência se deve a dois fatores importantes: a idealização da mulher por parte do homem e a mitificação masculina, própria da fantasia feminina. E por isso só uma minoria tem conseguido realizar-se totalmente, na esfera da feminilidade e na área sócio-cultural. Isso depende, em grande parte, do preconceito ainda reinante de que existe uma incompatibilidade entre a cidadã e a mãe de família. Tais idéias e sentimentos são frutos de concepções e influências masculinas. Penso pois que a mulher na sociedade atual necessita vencer essa dicotomia psicológica, através do conhecimento aprofundado de si mesma, afim de atingir a tranqüilidade indispensável para ser boa mãe e profissional eficiente.
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Cyro Martins. IN: A Mulher na Sociedade Atual.
Ensaios. Porto Alegre, Movimento, 1986, p.12-13.
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A propósito do
ENCONTRO SOBRE A MULHER NA SOCIEDADE ATUAL
Desafios e conquistas na trajetória de emancipação feminina persistem e foram questões de interesse permanente para Cyro Martins. O mote de nosso Encontro (cf. acima), escrito há quase 30 anos, aponta aspectos que a meu ver ainda estão em pauta na agenda da maioria das mulheres em nossa sociedade.
De fato, cada vez mais se apresentam exigências além da importância de harmonizar a função materna com a atividade profissional, requerendo da mulher exercer sua cidadania plena. Não necessariamente por meio de militância pró-causas político-ideológicas, pedagógicas, ambientalistas; por realização de obras grandiosas ou demonstração de conhecimentos extraordinários. Mas pela consciência de que estar no mundo implica compromisso consigo mesma e com quem a cerca. Compromisso em buscar uma existência e convivências significativas para si e para acrescentar algo ao cotidiano - sacudindo a mediania da vida que tende a tomar conta da gente e contribuindo para alguma transformação possível em cenários saturados. A começar pelo cultivo do senso de humor.
Assim, acima das competições com os homens ou com outras mulheres, cada uma de nós precisaria fazer o exercício diário (e não raro penoso) de saber de si e dar conta de nossos embates conosco mesmas, sem autocomiseração e sem alarde, mas deixando marcas. Por mais discretas que sejam, que sejam das marcas de amor à vida que ficam para uns tantos ou para uns poucos quem a gente passa ...
Aliás, é assim que Cyro Martins apresenta a maioria de suas personagens femininas. Menos por ser médico psiquiatra e psicanalista do que por ser um humanista. Ele apreende a condição humana com a sensibilidade e a perspicácia que lhe permitem perceber aspectos muito próprios das mulheres.
Em sua ficção, mesmo aquelas que parecem silentes e conformadas ou acomodadas, ante a prepotência ou a fraqueza masculina, há nelas uma chispa de vitalidade e reação que as impulsiona a enfrentar a realidade. Veja-se, por exemplo, Maria José, a companheira de João Guedes, em Porteira Fechada (1944)- sofredora mas combativa. A cumplicidade quieta entre Manuela e Chininha face a seu Lucílio, O Professor (1988) , a quem ambas, mãe e filha, atendem. A super respeitada doña Luzia, mãe amantíssima, que se perguntava, “sem a menor cerimônia”, quem seria o pai de seu filho Brandino, O príncipe da vila (1982). A sensibilidade poética e o espírito incisivo e lúcido de Ophélia, A Dama do Saladeiro (1980). A beleza e auto-confiança de Dóris, que parece “cancheira e arpista” aos olhos do seduzido Joazinho, em Gaúchos no Obelisco (1984). O manejo delicado de juntar numa personagem a dupla figura da destemida Dona Candinha e sua contrafação, digamos, autorizada, Marcelina, num jogo ficcional ainda mais ousado em busca dos recônditos femininos Na Curva do Arco-íris(1985).
E por aí vai, em quase todos os romances e contos há uma personagem que rompe padrões de conduta ou foge da visão comum às mulheres de seu tempo.
Por isso tudo, nosso Encontro sobre a Mulher na Sociedade Atual já diz a que veio e se anuncia como mais um veio promissor do CELPCYRO, a ser desenvolvido já contando com as palestrantes convidadas, cujos recados, certamente, vão suscitar valiosas e variadíssimas sensações, emoções e idéias.
Porto Alegre, 03 de outubro de 2009
Maria Helena Martins
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