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EXTRA !!!

EDIÇÃO ESGOTADA - NOVA EDIÇÂO LANÇADA:

- 22 de outubro - Livraria Cultura - Porto Alegre - 19 h

Saiba porquê

 

 

Trilogia ao alcance de quase todos - veja porquê


 

Sem rumo e a "Trilogia do Gaúcho a Pé"

Flávio Aguiar*

Sem rumo (1937) é o primeiro romance de Cyro Martins que pertence à chamada “trilogia do gaúcho a pé”, de que também fazem parte Porteira fechada(1944) e Estrada nova (1954).

Quando da publicação de Sem rumo, o processo de urbanização do Brasil se

acelerava. Mas 70% da população brasileira vivia no campo, enquanto 30% vivia nas cidades. Isso não significa apenas uma porcentagem. Significa que a

ascendência daquele mundo rural sobre o mundo urbano era muito grande e penetrante, enquanto hoje a equação se inverteu. Boa parte dos habitantes do mundo urbano, inclusive dos assíduos leitores da literatura canônica nacional, tinha a família próxima, quando não a própria infância e sua formação, solidamente afincadas no mundo rural.

Para aquelas gerações, a cidade era sinal de modernização e progresso. Não só da economia e das relações sociais; as cidades eram símbolo também de progresso espiritual, roubando a vida brasileira da violência a que as desigualdades do mundo rural, latifundiário e patrício, pareciam tê-la condenado. Os olhares dos escritores daquela década de 30 sobre nosso vasto mundo rústico de sertões, florestas, cerrados e pampas, era muito cético.

Mas nem por isso Sem rumo é um romance da desesperança, nem do desespero. Mesmo ali onde se embaça a miséria social, transparece, na visão de Cyro, a grandeza, ainda que paradoxalmente frágil, de seus personagens em busca da humanidade de seu destino, que mais parece utópica do que real. Em meio às durezas da vida, entregam-se aos amores, à memória, com volúpia e sofreguidão de viver. A paisagem do pampa, vivamente espelhada nas páginas de Cyro, emoldura com grandiosidade os dramas humanos.

A comunicação entre os personagens é difícil, interrompida. A única comunicação potente no romance é a da violência, seja a dos desmandos dos ricos sobre os pobres, dos poderosos sobre os humildes, dos homens sobre as mulheres, dos adultos sobre as crianças, dos homens sobre os animais. Ou então a violência – que Chiru, o protagonista, não deixa de ver com admiração, dos revoltosos, com seus lenços vermelhos embandeirados, suas cavalhadas em correrias pelas sendas combativas mas impotentes para ir ao cerne das doenças sociais que o jovem médico Cyro quer denunciar.

*Flávio Aguiar - organizador da edição comemorativa, autor das notas

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Porteira fechada

Carlos Jorge Appel *

O término da I Guerra Mundial (1914-18) traz, no seu rastro, a quebra do Banco Pelotense e a falência dos principais frigoríficos das cidades fronteiriças do Rio Grande do Sul, indícios significativos de que o sistema tradicional de produção da campanha gaúcha evidenciava sua exaustão e entrava em colapso.

As unidades produtivas do campo, as pequenas e médias estâncias, sofreriam as conseqüências dessa crise agropastoril. Todo um modo de produção vigente no Rio Grande do Sul, desde o início do século XVIII, esgotara sua utilidade e funcionalidade. A ataraxia e o imobilismo na campanha gaúcha constituíam sintomas dessa realidade.

Cyro Martins, nascido em Quaraí (1908), iria vivenciar e recriar essa situação num amplo e complexo painel ficcional, formado pela trilogia do gaúcho a pé: Sem rumo (1937), Porteira fechada (1944) e Estrada nova (1953). Nessa trilogia, os gaúchos, despilchados e sem cavalo, portanto sem auto-estima, tornam-se símbolos de decadência, de perda de identidade e de perspectiva; transformaram-se em “ruínas vivas”, na expressão de Alcides Maya. Mão-de-obra ociosa e desnecessária, peões, capatazes, pequenos arrendatários serão expelidos da estância para a periferia das cidades.

Porteira fechada traz à tona e desvenda esse quadro de decadência moral e material do gaúcho empobrecido, personificado em João Guedes. Durante algum tempo, tenta, arrendando meia quadra de campo, sobreviver ali com sua família, cultivando e criando gado. No entanto, a concentração de terras na mão de poucos e a crise econômica expelem João Guedes, sua mulher e filhos para os ranchos que circundam uma típica cidade do interior gaúcho. A tragédia é o ponto final dessa história de João Guedes. A campanha gaúcha nunca mais seria a mesma.

*Carlos Jorge Appel - Professor de Literatura, crítico literário e editor da maioria dos livros de CYro Martins

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Estrada nova

Ligia Chiappini*

 

A chamada trilogia do gaúcho a pé, concluída com este romance, tem sido lida como „documento precioso de uma época”, porque descreve, sitúa e analisa o processo da marginalização do gaúcho pobre e o êxodo dos habitantes da campanha riograndense para a cidade, sob o impacto da modernização na primeira metade do século XX. Em Estrada Nova essa temática se amplia, abrangendo ricos e remediados. Mas esse romance, como os anteriores, vai além do trabalho documental, porque às artes do sociólogo amador e do psicanalista profissional junta-se o indispensável talento do escritor, que, de modo triste e divertido, nos introduz no fluxo dos pensamentos, sensações e sentimentos de seus personagens. Isso se faz, aliando conhecimento e experiência, com pleno domínio das técnicas discursivas, destacando-se as sutilezas do monólogo interior, mas também a força dos diálogos, em que os personagens se defrontam numa performance complexa e ambígua, cheia de subentendidos e pressuposições, temperadas de ironia.

Cyro é perito em driblar nossas expectativas, contrariando as regras da coerência narrativa. Assim, o que poderia ser visto como falha técnica acaba sendo ponto forte do romance, como ocorre quando o fazendeiro Teodoro, que devia ser apenas um vilão, acaba roubando a cena do  moço Ricardo, herói meio abandonado no meio do caminho. E o livro se fecha com Teodoro e  suas vítimas sendo, simultaneamente, seus algozes:Janguta, sua mulher, sua filha. Como se realiza essa proeza e que efeitos ela produz, apenas a experiência direta da leitura pode elucidar. Trilhemos, pois, sem mais delongas, esta velha estrada ainda e sempre nova.

*Ligia Chiappini - Professora e pesquisadora de Teoria Literária (USP) e Estudos Latino-Americanos (Universidade Livre de Berlim).

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OBS.:

Embora a presente edição da Trilogia esteja destinada, preferencialmente, para doação  a Bibliotecas Públicas e  Escolares da rede pública, os exemplares restantes poderão ser encaminhados a outras instituições ou pessoas interessadas, mediante solicitação pelo mail celpcyro@celpcyro.org.br e o depósito de R$30,00 para cobertura de despesas com a remessa. Este valor deverá ser depositado na conta corrente  do CELP Cyro Martins: Banco do Brasil, cc. 1359-5  Ag. 3334-0 e o comprovante enviado pelo fax: 51-3533-3252.  

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