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A FORMATURA
Cyro Martins

Onze e meia da manhã do dia da formatura. Mário Martins eu colamos grau na secretaria, perante o velho Sarmento. Velhos amigos e companheiros de estudo, descemos, no entanto, a escadaria da Faculdade com as vistas voltadas para miras diferentes, as minhas mais longínquas e incertas, as dele mais próximas e definidas. Até nem me lembro sobre o que falamos aquela hora daquele dia de dezembro de 1933.

Á noite a turma colaria grau no salão nobre, na estica, de linho-branco, afinal vitorioso. Não era por orgulho ou outras diferenças que nós, Mário e eu, não compareceríamos incorporados aos colegas para receber o ambicionado canudo, mas sim­plesmente por pobreza, bem compreendida e aceita com naturali­dade. O custo do linho-branco ultrapassava longe as nossas nenhumas posses, por mais que cavoucássemos no forro dos bolsos.

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Fragmento de “A Formatura” IN: A Dama do Saladeiro- histórias vividas e andadas. Porto Alegre, Movimento, 2000, p.57. ( 1ª. ed. 1980)-