ENCONTRO HISTÓRICO DE ESCOLA BRASILEIRA COM URUGUAIA
Sob a coordenação da Profa. Carmem Pedrozo, da Secretaria de Educação de Livramento, efetivou-se o trabalho do Fronteiras Culturais em escolas públicas, destacando-se um projeto que resultou em encontro histórico entre escolares brasileiros e uruguaios.
Escola Rural Aldrovando Santana
Situada numa coxilha ao redor de Livramento, cercada pela paisagem da campanha, professores e alunos dessa escola realizaram um belíssimo trabalho. Juntos e integrando disciplinas, desenvolveram atividades várias, da pesquisa de campo ‘a produção de dramatizações, trovas, criação de desenhos, textos.
Os alunos, crianças e adolescentes, muitos de famílias de assentados, têm vivência efetiva da vida campeira. Assim, ao lerem os contos de Cyro Martins, muitos se identificaram com personagens, reconheceram situações e paisagem. Também por isso, envolveram a comunidade (Centro de Tradições Gaúchas) na realização dos trabalhos e preparação de sua apresentação.

Exposição de trabalhos a partir da leitura de
contos de Campo Fora |
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Gaúcho de Pouca Fé
Gaúcho que é gaúcho
Não tem medo de qualquer repuxo
Quebra quixo de matungo xucro
Para ter um amigo de confiança
E ainda lida em qualquer estância
Gaúcho que não é gaúcho
Tem vergonha dessa tradição,
Vendem-se´pra outros costumes
Nâo sentem o gosto do chimarrão.
Não importa se é branco ou negro
Se é rico ou se é pobre,
Gaúcho, índio véio humilde e nobre,
E de grande honestidade
Homem que teve coragem
De lutar por sua liberdade
Izair Bueno
Wagner Tiago - 7a. série
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Apresentaram leitura e dramatização de textos de Cyro Martins e criações a partir deles; recontaram a história da formação de Livramento, aspectos da cultura gauchesca com suas trovas, causos, pilchas e danças, num espetáculo harmonioso e cheio de graça. Para tanto, pesuisaram em livros e fora da escola, com familiares e participantes de CTGs, de quem também emprestaram vestimentas e objetos.

Maquete reproduzindo o cenário do conto "Cati", de Campo Fora |
Envolveu-se-, assim, a comunidade, misturando o trabalho escolar, com vivências cotidianas do campo , cultivo da memória gauchesca e aprendizado efetivo.

Professoras e alunos na frente da escola |
Todos entusiamados, embarcamos em seu ônibus escolar - Tchê Tur - atravessamos a fronteira para mostrar as realizações ao pessoal do “ outro lado” .

Embarcando no "Tchê Tur" rumo ao Uruguai |
Fomos visitar a Escuela 112, no Barrio Bisio de Rivera. Lá, maestras e alumnos receberam-nos com alas de boas-vindas, cantos e declamações em homenagem a seu patrono, o poeta Agostín Bisio.

Escuela 112, Rivera |

Recepção na Escuela 112 |

Alunos da Escuela 112 apresentam textos do poeta Bísio, patrono da escola |

Alunos da Escuela 112 declamando poemas |
Enfim, brasileiros e uruguaios mostraram e apreciaram seus autores fronteiriços, suas semelhanças e peculiaridades, em confraternização. Esse, tudo indica, foi um encontro histórico – provavelmente o primeiro entre duas escolas de ambos os lados dessa Fronteira da Paz. Ele deixará lembranças nos alunos participantes e certamente incentivará outros entre escolas já envolvidas no processo

Alunos da Escuela 112 de Rivera, confraternizam com alunos da
Escola Rural Aldrovando Santana, de Livramento
- Registro de um encontro histórico - |
MENINOS DE RUA LÊEM CYRO MARTINS
Impressões semelhantes terão as crianças da Pré-Escola Baby & Cia. que, face ao sucesso em 2001, introduziu propostas do projeto no currículo regular, com atividades durante todo o ano de 2002. Da mesma forma, lembrarão os que realizaram oficina no III Encontro Municipal de Meninos e Meninas de Rua em Livramento. Alguns manuseando um livro pela primeira vez, identificaram em contos de Campo fora situações e desejos de seu próprio universo povoado de frustrações e fantasias.
ENCONTRO INFORMAL DE PESQUISADORE EM LIVRAMENTO E RIVERA

Encontro informal de pesquisadores ligados ao
Fronteiras Culturais em Livramento e Rivera |
Esse Encontro permitiru que trocássemos informações sobre o andamento dos trabalhos dos participantes do Fronteiras Culturais. Soubemos, então, que na URCAMP de Livramento, alunas em final de curso escrevem monografias sobre a obra de Cyro Martins, orientadas pela profa. Nadja Boelter da Rosa. Aliás, Nadja é pioneira, há mais de década realiza em Quaraí trabalhos nas escolas públicas, fazendo com que lá exista um Fronteiras Culturais informal e continuado.
Enquanto a Presidente da ACM/ACJ Fronteira, Cláudia Cartana, em seu dinamismo nos entusiasma com possibilidades de realizações em sua nova sede, as componentes do Club de Lectoras dispõem-se a dedicar um tanto de suas leituras e criações ao Fronteiras Culturais, em 2003.
A Profa. Carmem Pedrozo anuncia o interesse de alunos e professores em ampliar sua participação, com o apoio do Secretário de Educação, Prof. Guilherme Elguy, e da Intendência de Rivera. Todos dispostos a colaborar com suas experiências e criatividade para enriquecer as tantas atividades de pesquisa e valorização do contexto e da gente fronteiriços, potencializando o tanto que há para mostrar e produzir nessa terra.
Estudantes de Bibliotecologia y Ciências Afines, da Universidad de la República, em Rivera, também identificadas com nossas propostas, Graziella Zorrilla e Magaly Ibañez formularam seu projeto “Promoción del acceso y uso de información por el ciudadano” à luz do que temos realizado naquela fronteira. E levam contribuições importantes ‘as comunidades em que estão trabalhando, podendo ainda vir a fazer algo em parceria conosco.
Crescem as investigações sobre a região. Agora mesmo a Profa. Gladys Bentancor finaliza sua tese de Maestria sobre o Cotidiano Fronteiriço Rivera-Livramento. Entre muitos aspectos, percebem-se pontos de contato temático e conceitual aproximando nossas pesquisas às dela. Quiçá se atraia também a profa. Gladys para se juntar a nós, fortalecendo vínculos locais com estudos acadêmicos.
Descobrem–se também novas fronteiras culturais na região, entrecruzando brasileiros e alemães, a respeito do que Sr. Walter Ens e Prof. Darcy Müller, da URCAMP, estão tratando de colher mais informações.