
Governador do Estado, na
cerimônia de abertura do
I Encontro Fronteiras Culturais (Brasil-Uruguai-Argentina)
- 12/12/2000
O Rio Grande do Sul, além dos limites geopolíticos
com o Uruguai e a Argentina, compartilha com esses países
aspectos históricos e culturais que potencializam sua função
no processo de desenvolvimento geral da região e na realização
de acordos e tratados econômicos e comerciais, como o MERCOSUL.
Mas essas características ainda não foram devidamente consideradas.
Para discutir esse quadro, o CELP CYRO MARTINS
realizou o I Encontro Fronteiras Culturais (BRASIL - URUGUAI
- ARGENTINA).Mais de 30 especialistas da Europa, Hispano-américa
e do Brasil se reuniram em conferências, mesas-redondas e
debates, efetivamente ilustrados pela Mostra de Vídeos Fronteiras
- um olhar investigativo, apresentaram trabalhos em diferentes
campos, das Letras à História, da Antropologia à Sociologia,
das Artes em geral à Comunicação, em suas interfaces e intersecções.
A começar pelo discurso de Abertura do Governador Olívio Dutra,
todos os demais participantes enfatizaram a necessidade de
conhecer e divulgar as múltiplas facetas da interação entre
o Rio Grande do Sul e os países platinos. Conforme eram levantadas
questões culturais que envolvem os três países, mais se envolvia
a platéia, atenta e participativa. No evento foram lançados
o Boletim CELPCYRO no. 2 e o livro de contos Campo Fora, de
Cyro Martins, em ed. bilíngüe (port/esp) e Edição Especial
da Revista CELPCYRO, com matérias dos participantes.
Aos estudiosos convidados como aos observadores
em geral dessa realidade fronteiriça, fica evidente que, sem
a compreensão de características culturais, qualquer determinação
política ou econômica sempre estará sujeita a sobressaltos.
Pois laços culturais são avessos a determinações contratuais.
Constroem-se passo a passo na convivência, nas esperanças
e nas frustrações cotidianas das comunidades. Esses laços
são frutos do esforço coletivo, muitas vezes vivenciados sem
maior reflexão. No entanto, se conscientizados, podem ser
trunfo para enfrentar adversidades, potencializando possibilidades.
Por isso se tornam tão relevantes o seu reconhecimento e a
sua valorização.
O evento superou expectativas - de qualidade
de trabalhos apresentados, de público, de repercussão na mídia
- e atingiu plenamente um de seus principais objetivos: trazer
a público o PROJETO FRONTEIRAS CULTURAIS (BRASIL - URUGUAI
- ARGENTINA), do CELP CYRO MARTINS, e testar seus propósitos,
quais sejam, de identificação, fomento e intercâmbio cultural,
abrangendo os três países, a partir de cidades fronteiriças
do Rio Grande do Sul com uruguaias e argentinas. Um projeto-processo,
com pesquisa de campo e ações culturais que propulsionem as
peculiaridades da região, gerando conhecimento e autoconfiança
nas populações.
Partimos da hipótese de que ser periférico,
geográfica e historicamente, é um diferenciador do RS, intensificado
na região da fronteira com o Uruguai e a Argentina. Um diferenciador
que tende a apequenar mais que a engrandecer as comunidades
locais. A começar pelo fato de, por óbvias a seus olhos, chegarem
a não enxergar as peculiaridades contextuais em que vivem,
menos ainda a valorizá-las.
Daí um olhar forasteiro poder se tornar mediador
de outra perspectiva, propiciando um estranhamento que revele
a essas populações o diferencial de sua própria existência.
Sem alimentar ufanismos ingênuos, mas nutrindo sua auto-estima.
O PROJETO FRONTEIRAS
CULTURAIS
(BRASIL - URUGUAI - ARGENTINA) será desenvolvido
com tal orientação, em cidades fronteiriças do RS com esses
países, tendo como motivadores os contos de Campo fora/Campo
afuera. Seu universo ficcional e o contexto sócio-histórico
que os plasmou apresentam elementos a serem vistos em contraste
com a atualidade. Ademais, a circunstância das leituras propiciará
observação de cruzamentos de imaginário e realidades, especialmente
no diálogo do passado com o presente, tendo no universo do
gaúcho heróico e no contexto do gaúcho a pé focos significativos.
A Mostra Fronteiras - Um Olhar Investigativo,
do Itaú Cultural, veio ao 1o. Encontro Fronteiras Culturais
(Brasil - Uruguai - Argentina) como um convidado muito especial.
Propiciou aos participantes do evento conhecerem trabalhos
de artistas do documentário e de videoarte, enquanto contribuiu
significativamente para ampliar perspectivas de abordagem
da questão fronteiras. Cotidiano, imaginário, idiomas, costumes,
conflitos, peculiaridades, carências, expectativas, vivências,
enfim, se mesclam em linguagens que se entrecruzam, diluindo
limites geográficos, fatos históricos, padrões lingüísticos,
valores existenciais, referenciais estéticos. O "olhar investigativo"
se torna, pois, um mediador para a compreensão de realidades
fronteiriças; e, atravessando evidências, atinge também o
imaginário de cada um e de muitos; se faz arte, incentiva
a transformações.
A Mostra e o Encontro potencializaram os propósitos
de identificação, fomento e difusão cultural norteadores do
projeto Fronteiras Culturais (Brasil - Uruguai - Argentina),
do CELP Cyro Martins.
Maria Helena Martins
Coordenadora do I Encontro Fronteiras Culturais
(Brasil -
Uruguai - Argentina)

Foto publicada pelo Caderno
de Cultura, editado por Carlos Urbim
Zero Hora, Porto Alegre, 9-dez-2000
Links Relacionados:
- Fronteras Abiertas - Mercosul
- I Encontro Fronteiras Culturais (Brasil - Uruguai - Argentina)
- Mostra de Vídeos Fronteiras - um olhar investigativo
- Governador Olívio Dutra - Entrevista
- Boletim CELPCYRO nº 2
- Campo Fora
- Edição Especial da Revista
CELPCYRO
- A AMÉRICA LATINA NÃO EXISTE
- Projeto Fronteiras Culturais (Brasil
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- Multiculturalismo e Identidade Nacional
- Antecedentes do gaúcho a pé